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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Se eu partir, irei algum dia voltar a ver-te?


Oiço tiros lá fora. Oiço gritos, berros que me alucinam e que me deixam hirto como estou agora.
Oiço a escuridão nas vozes dos outros, a respiração sôfrega de gentes cansadas,
De vidas destruídas, sem um mínimo resquício de vida.

E eu continuo aqui. Estático. Sem nada fazer, sem nada sentir.
Por mais que saiba que os outros estão com dor, por mais que eu queira ajudá-los,
Não me consigo levantar de onde me deitei. Não tenho forças para mim.
O sangue espelhado no chão é cada vez maior. Talvez este seja o meu fim, ou o meu início de tudo.
Sempre ouvi dizer que só crescemos quando morremos...
E se eu ficar aqui mais tempo o que me resta? Carpir fogo por dentro das minhas lágrimas?
Rasgar magia e suspirar delírios e fantasias que apenas me fazem alucinar?

Mas há dúvidas que me impedem, que travam a minha partida.
Se eu partir, irei algum dia voltar a ver-te?
Eu não estou seguro aqui. O nosso amor não está seguro em lado nenhum.
Apenas tentarei segurar-te quando tu estiveres a cair na luz que eu vou agora encontrar.
Eu encontrei o meu caminho. E tu ainda irás encontrar o teu.
Seja do meu lado ou não.